O cangaço foi um
sistema de luta de classes que ocorreu no nordeste brasileiro, entre meados do
século XIX e início do século XX. O termo “cangaceiro”, em suas origens, faz referência
a “canga”, peça de madeira usada em animais de transporte. Assim, a palavra
cangaceiro, faz uma alusão aos utensílios que eles carregavam no corpo.
O movimento se originou devido aos latifúndios, que
concentravam terra e renda nas mãos dos grandes fazendeiros, excluindo da sociedade
a maior parte da população, o poder ilimitado dos coronéis, a pobreza, a fome e
as secas, sem a proteção política.
Tinha como
integrantes sertanejos ,jagunços, capangas e empregados de latifundiários.
Eles tinham uma vida nômade: viviam perambulando pelo
sertão, praticando crimes, fugindo e se escondendo das volantes. Nos combates
contra as volantes, sempre levavam vantagem, pois tinham grande conhecimento do
território nordestino. Conheciam as rotas de fuga, locais onde poderiam
encontrar alimento, fontes de água e plantas medicinais; conheciam também os
lugares de difícil acesso que serviam como excelentes esconderijos.
Suas vestes incluiam, roupas e chapeus de couro que os
protegiam dos galhos secos da caatinga, cintas de couro para carregar os
cantis, cartucheiras, perneiras, luvas, bornais, fuzis mauser, pistolas, anéis
e calçavam alpercatas.
Os cangaceiros, ao chegarem nas cidades, pediam moradia e
alimentação aos moradores locais; aqueles que se opunham, restava violência,
mas os moradores que ajudavam eram recompensados, porém os cangaceiros apesar
de serem considerados bandidos por algumas pessoas, tinham o respeito de
muitos, já que eles trabalhavam no sentido de tirar dinheiro dos ricos
fazendeiros e dividir com as pessoas pobres. Quando eram mal recebidos nas
cidades matavam pessoas, arrancavam seus olhos, estupravam mulheres e as
marcavam no rosto com ferro quente, mas quando eram bem recebidos faziam bailes
com muita comida e musica.
Virgulino
Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião foi
o líder mais famoso do cangaço, nasceu em 7 de julho de 1897, em Pernambuco na fazenda de
seus pais em Vila Bela, atual serra talhada. Existem duas versões para seu apelido. Dizem que ele
manejava o rifle com tanta rapidez e destreza que os tiros sucessivos
iluminavam a noite; outros garantem que ele iluminou um ambiente com tiros para
que um companheiro achasse um cigarro perdido no escuro.
Em 1929,
conheceu Maria Déa (Maria Gomes de Oliveira) a Maria Bonita, a linda mulher de
um sapateiro que tinha 19 anos e se disse apaixonada por ele há muito tempo e
pediu para acompanha-lo. Lampião concordou e ela partiu com ele abandonando seu
marido. Lampião chegou a ter uma filha com Maria Bonita, que se chamou
expedita, a qual ao nascer foi entregue a um fazendeiro pra que fosse criada em
segurança longe dos perigos da vida de um cangaceiro.
O governo baiano
ofereceu 50 contos de réis pela captura de Lampião em 1930. Era dinheiro
suficiente para comprar seis carros de luxo.
Lampião morreu no dia 28 de Julho de 1938, na Fazenda
Angico em Sergipe, esconderijo considerado por ele um dos mais seguros, foi
surpreendido por uma emboscada armada com cerca de quarenta e oito policiais de
Alagoas, comandada pelo
Tenente João Bezerra e pelo Sargento Aniceto Rodrigues da Silva. O ataque durou cerca de vinte minutos, e onze
cangaceiros foram mortos, dentre eles Lampião e Maria Bonita. Todos os onze
cangaceiros foram degolados, e suas cabeças foram expostas nas escadarias da
igreja de Santana do Ipanema, e ainda percorreram nas mãos do Tenente João
Bezerra alguns estados nordestinos com o objetivo de servir como castigo
exemplar e desestimular a prática do cangaço. Lampião mesmo depois de morto
sofreu uma coronhada na cabeça por um policial, o que deformou seu rosto, Maria
Bonita embora muito ferida, ainda estava viva ao ser degolada, assim como seus
colegas cangaceiros Quinta-feira e Mergulhão.
O movimento do cangaço terminou em 1940, com a morte de
Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido também como Corisco ou “Diabo Loiro”.
Corisco foi o último integrante do grupo de Lampião a morrer. Outro fator que influenciou
o fim do cangaço foi
o crescimento econômico brasileiro: a industrialização e a expansão do setor de
serviços nos centros urbanos do Centro-Sul, o novo ciclo de extração da
borracha na Amazônia, a abertura de novas frentes agrícolas no Sul e no
Centro-Oeste, criou uma alternativa de vida para os moradores do sertão, agora
eles poderiam migrar pra outros estados em busca de melhores condições de vida.
Durante muito tempo, as famílias
de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno a seus
parentes. O economista Silvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, em especial, empreendeu muitos esforços para dar um
sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, a
macabra exibição pública. Segundo o
depoimento do economista, dez dias após o enterro de seu pai, a sepultura foi
violada, o corpo foi exumado, e sua cabeça e braço esquerdo foram cortados e
colocados em exposição no Museu Nina Rodrigues.
O enterro dos restos mortais dos
cangaceiros só ocorreu depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965. Tal
projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta
Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do Clero o reforçaram. As
cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de
1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.
Componentes : Ariadne Santana,Renata Aguiar,Rodrigo Viana,Lucas Rafael,Enoque Júnior.
Professor : Murilo Sales



